terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Universo paralelo com gostinho de pastel queimado.

"Um evento anual, repleto de adolescentes, adultos, crianças. Noite. Som alto, iluminação baixa com alguns holofotes apontados ao palco, aglomerados de pessoas em determinadas barracas de brinquedos, de artesanatos, etc. Estava ajudando em uma dessas, era muita correria para apenas servir comida encharcada de óleo acompanhado de bebidas nada saudáveis. Isso deixa minha mente tão confusa que, mesmo não podendo, preferi me desligar do momento atual e entrar em um mundo que só pertencia a mim; um lugar que poderia respirar com mais calma e apreciar vagarosamente cada coisa e seus detalhes, sem se preocupar com o ritmo alheio, sem ter por perto pessoas que só sabem dizer "tempo é dinheiro, vamos, ande" ou "foque no seu trabalho, tenho certeza de que é a única coisa importante na sua medíocre vidinha". Esse tipo de coisa me deixa profundamente irritada, não quero ouvir conselhos de pessoas que apenas existem, eu quero é escutar, conversar, aprender com pessoas que vivem de verdade. Ainda no meu próprio mundinho, fui refletindo cada vez mais, a ponto de chegar até a pensar nos outros tipos de vida inteligente. Estava tão entretida nisso que não absorvia nada do mundo real, a única coisa que sentia era um cheiro estranho... Cheiro de algo sendo queimado."


- Jenny? Jenny! - Saí do transe ao ouvir a voz de minha amiga que estava encarregada de ajudar na parte de bebidas.
- O que foi? - Perguntei assustada.
- O pastel queimou.

Camuflagem: chamógelo.

[...] Sempre tentei ser forte, mas todas as tentativas foram falhas. Tentava demonstrar com um sorriso que estava tudo bem comigo, por mais que não fosse verdadeiro; sei que estou mentindo para mim mesma, mas o que eu posso fazer se isso virou um costume? Serei sincera: eu já esqueci o verdadeiro significado do sorriso, sempre o usei para camuflar minhas dores. Sempre. Virou algo tão comum que me assustaria se eu agisse de outra forma, porque isso é muito... Muito eu.
Eu minto à mim mesma dizendo que sou forte o suficiente para aguentar qualquer coisa, qualquer avalanche de emoções, sendo que na verdade, quando passo um pouco do limite, eu procuro um lugar -que não há nenhum sinal de vida- para me acomodar e derrubar quantas lágrimas for preciso, e finalmente recuperar minhas forças e conseguir manter aquele mesmo bendito sorriso na cara, fazendo com que ninguém perca seu valioso tempo se preocupando com minha pessoa.

Tirei meu celular do bolso da calça e olhei para o visor, 12h48. Bem, estava conseguindo manter a bosta daquele sorriso desde mais cedo, lá pelas 9h30 da manhã; até que estava indo bem, só faltava mais algumas horas para voltar para meu muquifo que eu chamo de casa. Eu tinha mil e um motivos para não querer sair e ficar enfurnada no meu quarto escuro assistindo animes/doramas ou lendo fanfics pelo qual eu choro litros e litros por causa de uma mera história melosa. Mas não, preferi sair para gastar metade das minhas economias em coisas que são irrelevantes ao olhar alheio e ficar discutindo sobre assuntos banais o dia todo.






Obs.: Chamógelo vem do grego (χαμόγελο), que significa Sorriso.