sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

 "É, acho que fui destinada a não conhecer essa parte da vida." Pensava ela, enquanto pousava o olhar melancólico na mão de seu amado, que estava segurando a mão de uma de suas grandes amigas, demonstrando que ele não sentia apenas afeto por ela. Acreditava que todos já passaram por algo parecido nessa vida, pelo menos uma vez. Mas no caso de Elisa, toda vez que achava que conseguia chamar atenção de tal pessoa, esta sempre escapava por entre suas mãos, nunca dava certo. Por mais que ela corresse atrás, nunca havia resultados positivos. E a cada vez que isso acontecia, surgia mais uma rachadura em seu coração feito pelo movimento sutil de um martelo sobre um prego enferrujado que nele estava cravejado. Estava ficando cansada desse tipo de brincadeira que a vida vem lhe pregando a alguns anos. Ela voltava com a palavra todas as vezes que prometia a si mesma que faria de tudo para não passar por isso novamente. 

A dona das madeixas ruivas teve uma ideia. Arranjaria uma desculpa para ir embora daquele lugar que estava a sufocando, já não aguentava mais. Não se despediu direito dos amigos e, apressadamente, voltou para sua casa. Trancou-se em seu quarto; achou que choraria copiosamente pelo ocorrido de mais cedo, mas ela apenas ficou perdida em seus pensamentos, até sua mãe a chamar para jantar.
- Elisa? - Ouviu batidas na porta de seu quarto. Era a voz de sua mãe. - Não vai descer para jantar?
- Estou indo, mamãe. - Disse sem pensar, ainda mergulhada em seus devaneios.
Ela levantou do gelado chão em que estava deitada e havia decidido. Se afastaria de todos, não para sempre, mas por um bom tempo.Tempo o suficiente para mudar e se recuperar. Estava consciente de que se sumisse por um período, não faria falta.
"Afinal, estou fazendo o papel de apenas a "mais uma" nesse mundo. Ninguém ligaria." Pensava ela. E desceu para devorar o strogonoff que a esperava na mesa de jantar.

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